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Removida a última grande lixeira do Douro Património Mundial PDF Imprimir e-mail
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Escrito por Neves Morais   
23-Set-2007
A última das grandes lixeiras clandestinas do Douro Património Mundial começou hoje a ser limpa, com a remoção de toneladas de entulhos, electrodomésticos, pneus e colchões espalhados por uma encosta da margem sul do rio Douro. O quilómetro 151, da Estrada Nacional 222, no concelho de Tabuaço, foi o local escolhido para a deposição ilegal de toneladas dos mais variados lixos que foram deslizando por uma encosta de cerca de 150 metros até às margens do rio Douro.

Neste autêntico «hipermercado de lixo», sete operários da empresa SUMA - Serviços Urbanos e Meio Ambiente S.A começaram hoje a remover os detritos, ajudados por uma grua.

«Só com a utilização da grua é que conseguimos retirar os monstros, como frigoríficos, fogões, colchões e pneus, da encosta do rio», disse à Lusa José Guerra, chefe de serviço da SUMA.

Esta iniciativa está inserida no projecto «Erradicação das Dissonâncias Ambientais do Douro», promovido pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) e pelo Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos (IPTM).

No âmbito deste projecto, iniciou-se em Fevereiro, a limpeza dos maiores pontos negros identificados na região duriense.

José Guerra disse que foram localizadas «101 grandes lixeiras clandestinas», espalhadas pelos 11 concelhos do Alto Douro Vinhateiro, Património Mundial da Humanidade desde 2001.

Em bermas de estradas, socalcos, margens de rios e ribeiros, foram removidas entre «700 a 800 toneladas» de lixo.

A erradicação desta última lixeira clandestina vai demorar cerca de «duas semanas» pois, segundo José Guerra, os trabalhos estão a ser dificultados «pela altura da encosta, pela vegetação existente no local e pela quantidade de resíduos encontrados».

Explicou que a SUMA procede à separação dos lixos, para reciclar o que é possível, e entregar os restantes resíduos nos aterros.

«O objectivo está a ser alcançado. As principais lixeiras foram limpas, mas ainda há muito para fazer neste campo», salientou.

É que, segundo o responsável, espalhadas pelos 11 concelhos do Alto Douro Vinhateiro existem ainda pequenas outras lixeiras para as quais «é necessário encontrar soluções».

Referiu que a SUMA está a estabelecer contactos com as autarquias para prestar «este serviço de limpeza a cada um dos concelhos».

A acompanhar a limpeza dos concelhos, está também a ser promovida uma campanha de sensibilização ambiental denominada «Douro Limpo» para que «não haja reincidências na deposição dos resíduos».

Ao mesmo tempo, segundo José Guerra, é também «importante» encontrar soluções para o depósito dos lixos.

Deu como exemplo o caso dos resíduos de construções e demolições para os quais a «solução legal mais próxima fica no aterro de inertes de Vila Nova de Gaia».

«Dificilmente os empreiteiros pagam o transporte dos entulhos para tão longe», frisou.

José Guerra defende uma maior fiscalização por parte das autarquias e agentes da autoridade, através de uma atitude «correctiva mas também de aplicação de coimas».

O responsável considerou ainda que o encerramento das lixeiras municipais a céu aberto, há uns anos atrás, e a abertura dos aterros intermunicipais «levou à propagação de locais de despejo ilegais».

Isto porque, segundo referiu, os aterros «ficam mais distantes e não aceitam todo o tipo de lixos»
Actualizado em ( 23-Set-2007 )
 
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