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Breves: Couto de Dornelas e Alturas do Barroso PDF Imprimir e-mail
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Escrito por Margarida Luzio, Semanario Transmontano   
09-Ago-2006

São Sebastião deu de comer a milhares de forasteiros

Sábado e bom tempo. Terá sido a combinação destes dois factores a responsável pela grande quantidade de forasteiros que no passado sábado “invadiram” as aldeias de Couto de Dornelas, primeiro, e Alturas de Barroso, depois. Cumprindo mais uma vez a tradição em honra de São Sebastião, as duas aldeias deram de comer aos milhares que por lá passaram.
 

Não se empurrem! Tenham calma! Isto chega para todos!”. “Isto” era um prato de feijoada, um canto de trigo e um copo de vinho, o menu a que uma multidão desordenada tentava alcançar, no interior de um armazém, em Alturas do Barroso, Boticas. No passado sábado, na pequena aldeia barrosã foi dia de cumprir uma antiga tradição: dar de comer a quem por esta terra passa. Em honra de São Sebastião, “santo advogado dos animais e protector de males como a peste e a fome”. Os forasteiros agradecem com uma esmola ao Santo.

“Antigamente dava-se só pão e vinho, mas agora, com as modernices, começamos a dar feijoada”, explicava, com a testa banhada em suor, José Martins, um dos organizadores. Cada ano, a tradição é cumprida com o trabalho dos moradores de seis casas da aldeia.
É este grupo que, semanas antes, anda pela aldeia a pedir aos restantes moradores carne para a gigantesca feijoda.


“Se não chegar, o resto comprámos”, continua José, lembrando também que foram estas pessoas que cortaram a lenha que, ontem, fazia ferver os potes cheios de feijão e carne, e que fizeram as mesas onde, de pé, os forasteiros comiam. “Levantamo-nos às 5h00”, acrescentava uma mulher, de volta das panelas onde se cozia arroz. “Já lá vão 150 quilos”, garantia, limpando o rosto. “Dá muito trabalho e não ganhamos nada! Mas a devoção ao Santo também vale!”, justificava outra “cozinheira”.

A meio da tarde, além dos 150 quilos de arroz, já tinham sido cozidos 300 quilos de feijão. No entanto, pelas contas de José Martins, até ao fim da noite ainda se iam gastar mais “uns cem quilos”. “Está sempre a entrar gente. E cada ano vêm mais”, dizia, lembrando as quantidades de pão e vinho: 300 broas de centeio, 3 mil carcaças, dois mil cantos de trigo e 600 litros de vinho.
Do outro lado, enquanto uns aguardavam à porta, outros iam comendo. “Só é pena a confusão à entrada!”, lamentava uma mulher de Famalicão. Ao seu lado, um idoso, quase sem dentes, queixava-se que os feijões estavam rijos.

Antes, a maior parte destas pessoas passara já por Couto de Dornelas, que cultiva uma tradição semelhante. O menu é diferente: arroz, carne e broa.
Actualizado em ( 27-Jan-2007 )
 
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